Psicólogo é para louco… será mesmo?!

Muito frequentemente na clínica, nos deparamos com esses questionamentos, que surgem até mesmo como sentimento de autocensura dentre os próprios pacientes. Alguns preferem manter a psicoterapia em segredo, outros acabam por desistir do tratamento, antes mesmo que o processo inicie.

A psicologia nada mais é que a ciência que estuda o comportamento humano, e os processos mentais, buscando compreender de que maneiras os conteúdos conscientes e inconscientes influenciam no modo como tomamos decisões e nos comportamos.

Numa época em que a crença predominante era a de que a “mente” e o “corpo” funcionavam de forma indissociada, grandes pensadores como Platão (428-348 aC) já buscavam compreender qual o papel da mente no controle do comportamento humano.

O termo Psicologia foi encontrado pela primeira vez em livros filosóficos do século XVI, sendo formado pela junção de duas palavras gregas: psique (alma) e logos (estudo). Dentre diversos pensadores que continuaram a estudar como se dava a relação entre corpo e mente, René Descartes (1596-1650), um filósofo francês, constatou então que a mente e o corpo eram duas entidades separadas, mas que interagem entre si para formar a experiência humana, o que respondeu ao questionamento inicial de Platão, e deu base para que aos poucos o estudo da mente fosse se tornando uma ciência.

Como se pode perceber, há muitos séculos o comportamento e a mente humana já eram objeto de estudos. Apesar disso, a psicologia é uma ciência relativamente nova, pois os maiores avanços teóricos aconteceram de 150 anos para cá. Dentre suas diversas áreas de atuação destaca-se a Psicologia Clínica, que tem como objeto de estudo os aspectos psíquicos e transtornos mentais.

A psicoterapia consiste em tratar as questões emocionais que causam sofrimento ao indivíduo. Durante as sessões, através da fala do paciente, é feita uma avaliação clínica que dá base ao curso do tratamento.

Mas não se trata de uma mera conversa! O profissional tem por base conhecimentos teóricos e técnicos através dos quais conseguirá compreender o indivíduo em sua singularidade, ajudando-o a entender o que está por trás de alguns comportamentos, quais as suas reais necessidades, fazendo com que entre em contato com alguns sentimentos – inclusive os que evita -, ao invés de continuar sendo controlado por eles e agindo da forma como sempre agiu até então.

O paciente pode buscar a psicoterapia pelos mais diversos motivos, que vão desde a necessidade de autoconhecimento e amadurecimento emocional, superações de perdas, tomadas de decisão e adaptações a mudanças, até o tratamento de transtornos psicopatológicos, como a depressão, ansiedade, compulsões, dentre outros. O psicoterapeuta deve ter uma postura livre de julgamento e repreensões, buscando validar os sentimentos do paciente com compreensão e respeito.

O intuito da psicoterapia é a superação de conflitos internos, traumas e sofrimentos emocionais. Como resultado desse processo, temos um indivíduo mais autoconsciente, adaptado e amadurecido, com maior tolerância à frustração, autoestima e autoconfiança.

Portanto, respondendo à questão inicial, é possível observar que a psicoterapia está longe de ser um tratamento para “loucos”, tendo muito mais a ver com superação de sofrimentos e conflitos internos que qualquer pessoa pode ter. A grande diferença é que, quem procura um psicólogo está disposto a tentar lidar com suas questões e a partir disso, evoluir!

Fernanda Vasconcellos Machado Cervi

Psicóloga formada pela UNIDERP/ANHANGUERA. Especialista em Psicoterapia de Orientação analítica pelo IPD – Instituto de Psicoterapia Dinâmica. Formanda em Luto, Perdas, Separação e Morte. Atua como psicóloga clínica no atendimento individual de adolescentes e adultos.

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