Psicóloga Tatiana Nascimento comenta sobre ansiedade e depressão

Psicóloga Tatiana Nascimento
Luiz Guilherme – Maracaju Hoje
10 de setembro é o Dia Mundial do Combate ao Suicídio e, por isso, o mês é chamado de ‘setembro amarelo’. A cor é para chamar atenção a um assunto delicado, mas que precisa ser abordado, sobretudo, no atual cenário de pandemia que o Mundo vive.
O Maracaju Hoje entrevistou recentemente a psicóloga Tatiana Nascimento, formada pela FAD (Faculdade Anhanguera de Dourados), em 2018, com especialização em avaliação psicológica e psicoterapia, que comentou sobre os sinais da ansiedade, depressão e como ajudar quem sofre dessas doenças consideradas ‘mal do século’.
MH – Como lidar com a ansiedade e depressão, principalmente nesse tempo de pandemia, distanciamento social e incertezas?
Psicóloga – “É sempre importante procurarmos ajuda de um profissional de saúde mental, quando percebemos que não estamos bem psicologicamente. Diante de uma pandemia, os sentimentos potencializam, onde temos que ficar em isolamento, parar de trabalhar, lidar com estresse e pressão, é ainda mais importante e essencial contarmos com a ajuda de psicoterapia. O trabalho do psicólogo, na psicoterapia, consiste em compreender, em seu paciente, os pontos fortes e fortalecer aqueles mais fracos, ficando assim, o paciente mais fortalecido para lidar com os sofrimentos, angustias e promovendo uma melhor qualidade de vida”.
MH – Quais os sinais da ansiedade e da depressão?
Psicóloga – “Ansiedade é caracterizada pelo excesso de preocupação. É um tipo de sentimento que não é controlado pelo indivíduo, é uma invasão da mente. Os sintomas podem ser a inquietação, o nervosismo, a fadiga e o cansaço, além da dificuldade para se concentrar. Também pode haver alterações de sono, mas nesse caso, o sono se torna mais leve e com pouca qualidade. Entre os sintomas físicos, estão a falta de ar, o suor, a mão gelada, boca seca, tontura e náusea. Já a depressão é definida pela diminuição do prazer, desde as atividades diárias até a perda da libido. Alterações de apetite, como aumento ou diminuição, desregulação do sono, além de quadros de fadiga, cansaço, indisposição, sentimento de culpa e inadequação”.
MH – A pessoa dá sinais de que realmente pretende cometer suicídio? Quais são esses sinais?
Psicóloga – Os sintomas nem sempre são visíveis, muitas vezes são silenciosos! Mas há alguns sinais para os quais podemos prestar atenção. A pessoa costuma falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessa se sentir sem esperança, culpada, com falta de autoestima e tem uma forte visão negativa de vida e futuro. É comum o uso das frases como ‘Vou desaparecer’, ‘Eu não aguento mais’, ‘Vou deixar vocês em paz’, ‘Eu sou um perdedor e um peso pros outros’, ‘Eu queria poder dormir e nunca mais acordar’, ‘É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar’, ‘Os outros vão ser mais felizes sem mim’.
MH – Como as pessoas ao redor podem ajudar?
Psicóloga – “É de extrema importância à participação de seus familiares e amigos próximos. Esse indivíduo precisa se sentir querido e acolhido em meio às pessoas que fazem parte da rotina dele. Os familiares podem ajudar conversando sobre suicídio com essa pessoa em um lugar calmo e tranquilo, onde ela pode falar e ser ouvida. A família pode procurar ajuda psicológica para lidar com a situação. Sabemos o quanto altera a rotina e é estressante estar em constante alerta, com medo de não conseguir ajudar. É importante que a pessoa saiba que tem apoio caso queira e motivando-a sempre a procurar ajuda profissional. Em caso de emergência não a deixe sozinha, procure ajuda profissional de serviços de saúde mental e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa, para que assim ela se sinta mais segura”.
MH – Tratamento: psicologia e ou terapia? Escolher os dois devem?
Psicóloga – “Psicoterapia é a terapia realizada pelo psicólogo. O psicólogo atua com base na abordagem teórica e suas respectivas técnicas, sendo possível trabalhar, por exemplo, com orientação psicológica, avaliação psicológica, acompanhamento terapêutico e psicoterapia. Já a terapia tem um espectro que envolve outras profissões e podem ou não ser simultâneas a psicoterapia”.
MH – Qual a importância do mês ‘Setembro Amarelo’?
Psicóloga – “O principal objetivo da campanha ‘Setembro Amarelo’ é a conscientização sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade da prática no Brasil e no mundo. Para o ‘Setembro Amarelo’, a melhor forma de se evitar um suicídio é através de diálogos e discussões que abordem o problema. É um mês para se levantar bandeira da importância do autoconhecimento e do autocuidado”.
MH – Em qual faixa etária a depressão, ansiedade é mais comum?
Psicóloga – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a faixa etária mais afetada varia entre 55 e 74 anos. Apesar de a depressão atingir sujeitos de todas as idades. Quanto ao risco, se torna mais frequente na presença de pobreza, desemprego, morte de um ente querido, ruptura de relacionamento, doenças, uso de álcool e de drogas.
MH – Os jovens tendem a estarem mais vulneráveis ao suicídio?
Psicóloga – Diria que sim e não. Nenhuma faixa etária pode ser ignorada. O sofrimento psíquico pode acontecer e ser demonstrado em qualquer idade, a qualquer momento e contexto social.