Por cargos e corte de R$ 3,5 bi, presidente da Caixa é alvo de ataques

FOTO: RAFAELA FELICCIANO

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que está sendo atacado porque promoveu mudanças na estrutura da instituição e vai cortar R$ 3,5 bilhões em compras. Nos primeiros 20 dias no cargo, Guimarães trocou todos os vice-presidentes, 38 dos 40 diretores e 74% dos 84 superintendentes regionais. Ele promete vender prédios do banco, ser mais duro nas negociações dos contratos em várias áreas, incluindo gastos com segurança, e reduzir desembolsos com patrocínio e publicidade.

“Não sei se isso foi feito em algum banco na história. Meu compromisso é com a Caixa. Não tenho outro compromisso”, diz Guimarães. “Estou sendo atacado diuturnamente. Por quê? Por que só eu mudei todo mundo ao mesmo tempo e vou economizar R$ 3,5 bilhões em dois anos.”

Para atingir a meta de economia até 2020, Guimarães planeja vender prédios que o banco tem em todo o País, inclusive agências próprias, e renegociar condições dos contratos do banco. “É óbvio que se vai reduzir R$ 3,5 bilhões de despesas é porque era muito fácil gastar aqui na Caixa”, afirma. O presidente diz que “não faz nenhum sentido” a Caixa ter sete prédios apenas na Avenida Paulista e 15 edifícios em Brasília, sendo um, com cinco andares, usado apenas para fazer exames de admissão dos funcionários. “O que estou querendo saber? Quem são os donos desses imóveis? Será que eu vou achar? Será que vou descobrir que os donos desses imóveis se beneficiariam da Caixa?”

Entre os contratos que devem ser renegociados, cita aluguéis e gastos com segurança. “A Caixa é ineficiente nas despesas e ineficiente em cobrar receitas. O banco paga muito mais que a média dos concorrentes e recebe muito menos.”

Guimarães afirma que levam em conta apenas o início da sua gestão. “Não tenho nenhum problema em falar. Mas é óbvio que estamos mudando as coisas aqui na Caixa. Vejo uma relação ótima e, se tiver alguma reclamação, vamos conversar.”

Segundo Guimarães, ontem mesmo ele receberia quatro deputados. Ele já foi a seis Estados, onde se encontrou com seis governadores e sete prefeitos, além de funcionários do banco e empresários. Uma experiência, que segundo ele, tem dado certo para buscar soluções. “Aqui em Brasília as pessoas dizem o que você quer ouvir: que não tem problema nenhum, mas a realidade do Brasil é muito diferente.”

Fonte: Metrópoles.