Maracaju pode ter candidatura única à prefeitura em 2020

Congestionamento provocado pelo número de pretendentes a administrar mais de R$ 1 bi no quadriênio 2021/2024 pode levar os Azambuja a se unirem na busca por nome de consenso

Há muito não se via um número tão grande de postulantes à condição de candidato a candidato a prefeito de Maracaju como no atual momento. Numa análise superficial, tem-se pelo menos uma dezena de pré-candidatos assumidos, sem contar aqueles que têm o sonho de aconchegar as nádegas na principal cadeira do Paço Municipal, mas que, pelos mais diversos motivos, optam por guardar só para eles mesmos o “desejo recôndito”.

Dona do sexto maior orçamento anual dentre os 79 municípios de Mato Grosso do Sul, a Prefeitura de Maracaju vai proporcionar ao próximo prefeito a condição de administrador de mais de R$ 1 bilhão no quadriênio compreendido entre o dia 1º de janeiro de 2021, quando se iniciará a próxima administração, e o dia 31 de dezembro de 2024, quando ela se concluirá.

Essa afirmação leva em conta que para 2020 o orçamento previsto é de pouco mais de R$ 217 milhões e, como se prevê que nos anos seguintes os números devem subir gradativamente, tem-se que seguramente a soma desses valores com os repasses extras – provenientes de emendas orçamentárias e convênios com Estado e União -, ultrapassará, com folga, a cifra citada de R$ 1 bilhão no decorrer dos quatro anos.

E o congestionamento de pré-candidatos, uns apontados como integrantes do grupo do prefeito Maurílio Azambuja (MDB), outros ligados ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB), tem sugerido a possibilidade ou até a necessidade de um amplo entendimento entre os primos que comandam o município de Maracaju e o Estado de Mato Grosso do Sul, respectivamente, para se chegar a um candidato de consenso evitando uma disputa que acaba sempre deixando sequelas.

Pelas hostes emedebistas há três candidatos declaradamente em pré-campanha, embora haja quem afirme que o prefeito Maurílio teria “no bolso do colete” um quarto nome, caso não se chegue a um entendimento entre os secretários municipais Frederico Felini, de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e Lenilso Carvalho, de Finanças, Administração e Planejamento, e o vereador Hélio Albarello, o presidente da Câmara Municipal. Todos eles querem ser o ungido do prefeito Maurílio, mas, o chefe do Executivo Municipal só pode optar por um em detrimento de outros dois, daí os comentários “em off” sobre um suposto quarto nome que se filiaria ao partido dentro do prazo estipulado pela Justiça Eleitoral Brasileira e se tornaria o nome de consenso, caso o MDB lance realmente candidato à sucessão municipal.

Pelas bandas dos tucanos as pré-candidaturas também são no atacado. Começa naturalmente pelo atual vice-prefeito, Joares Sanches, que era pré-candidato do partido em 2016 e abriu mão para somar com Maurílio, passa pela ex-vice-prefeita do próprio Maurílio (2013/2016), vereadora Eliane Simões, até chegar aos também vereadores Nego do Povo e Marinice Penajo. No ninho tucano não se pode desprezar o nome do ex-vereador e empresário rural, Valdenir Portela Cardoso, que tem as bênçãos do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Corrêa (PSDB).

Aliás, a lista de pré-candidatos apontados como nomes que podem ter o apoio de Reinaldo Azambuja é tão grande que extrapola o território dos tucanos e avança pelas hostes dos democratas do deputado estadual Zé Teixeira (DEM), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa.

A ex-primeira-dama do município e atual subsecretária de estado de Políticas Públicas para as Mulheres, Giovana Corrêa Vargas, embora filiada ao DEM, é apontada como a preferida do governador Reinaldo, caso ele pudesse decidir sozinho sem criar rupturas dentro do seu partido.

No entanto, há toda uma conjuntura e jogos de interesse na hora de decidir entre um e outro nome e, no caso do PSDB, assim como se afirma que Maurílio pode optar por um quarto nome, Reinaldo poderá buscar uma sétima opção que seria um conhecido empresário da área do comércio de insumos e defensivos agrícolas.

O POTENCIAL DE CADA UM – Nesse cenário em que candidatos a candidato estão trombando em eventos públicos, não há como se afirmar que este ou aquele nome é melhor ou pior eleitoralmente falando. Até mesmo porque as pesquisas mostram que quase 70% dos eleitores locais não sabem ainda em quem vão votar no ano que vem, ou seja, quem lidera momentaneamente a pesquisa tem percentual de intenção de votos em cima de um índice de menos de 40% dos eleitores maracajuenses.

Vamos à análise dos nomes, importando informar aos leitores que este é o ponto de vista do jornalista que assina a presente matéria, não representando, portanto, o pensamento do jornal ou das empresárias que comandam a empresa que edita o “Maracaju Hoje”:

FREDERICO FELINI – Secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, Frederico Felini é muito querido entre os servidores públicos municipais. É responsável pela elaboração de diversos projetos que foram levados a Brasília e receberam a aprovação nos ministérios onde ele tem excelente trânsito.

Embora nunca tenha disputado eleição, Frederico é apontado como um político nato, pois é sobrinho de duas expressivas lideranças políticas: pelo lado da mãe herdou o sangue de Ary Rigo, ex-deputado estadual e ex-vice-governador do Estado (que chegou a governar MS por 30 dias na ausência do titular Pedro Pedrossian) e, pelo lado do pai, do ex-prefeito de Sidrolândia, por dois mandatos, e ex-deputado estadual, Enelvo Felini.

Se não for o candidato a prefeito, deve disputar uma cadeira na Câmara Municipal, sendo apontado como nome quase certo para ocupar uma das 13 vagas no Legislativo no período 2021/2024.

LENILSO CARVALHO – Secretário municipal de Finanças, Administração e Planejamento, Lenilso Carvalho também é neófito na seara política. Destaca-se pela competência com que vem gerindo as finanças do município de Maracaju a ponto de vir sendo apontado como modelo para outras administrações espalhadas pelo Estado.

Sob seu comando, a gestão do prefeito Maurílio Azambuja tem conseguido o feito de não apenas pagar os servidores municipais em dia, mas fazê-lo ainda dentro do mês trabalhado. E, de quebra, a administração municipal tem executado muitas obras com recursos próprios, um caso raro no modelo atual da gestão pública brasileira.

Em caso de um entendimento para o lançamento de candidatura de consenso entre MDB e PSDB, Lenilso seria o nome emedebista para compor a chapa majoritária. Se não for candidato a prefeito ou vice-prefeito, deve engrossar a chapa de candidatos do MDB à Câmara Municipal devendo se eleger e ajudar a legenda a eleger uma boa bancada para o próximo quadriênio.

HÉLIO ALBARELLO – Presidente da Câmara Municipal pela quinta vez e vereador desde 1982, cumprindo o oitavo mandato, Hélio Albarello só ficou fora do Legislativo no período de 2009 a 2012, pois, em 2008, tentou mudar de Poder, concorrendo a vice-prefeito na chapa de Maurílio, que tentava reeleição, e acabou sendo derrotado pelo então presidente da Câmara Municipal, Celso Luiz da Silva Vargas.

Tem o respeito, a admiração e a gratidão não só do prefeito Maurílio como de toda a cúpula do MDB, mas, sua candidatura vai depender dos dados que apontarem pesquisas qualitativas encomendadas pela direção partidária. Se não viabilizar a candidatura ao Executivo, Hélio deve buscar o nono mandato e, reeleito, é forte candidato a continuar comandando o Legislativo do Município.

JOARES SANCHES – Ao analisar as chances de candidatura a prefeito de Joares Sanches, é preciso lembrar que vice-prefeito não tem tido muita sorte no âmbito da política maracajuense. E isso já vem de longa data. Em 1996, o atual governador Reinaldo Azambuja se elegeu prefeito de Maracaju tendo o médico ortopedista Nestor Muzzi (MDB) como vice-prefeito.

A passagem de Muzzi pelo cargo foi tão obscura que ele se mudou para Campo Grande ainda no curso do mandato, sendo substituído, na eleição de 2000, pela professora Silvana Terezinha Carra Dias, também do MDB, que era vereadora e apontada como política de futuro promissor. Ficou no cargo de vice-prefeita, aposentando-se da política.

Em 2004, o médico Maurílio Azambuja, então no PFL (que depois virou DEM), se elegeu prefeito tendo como vice-prefeito Antônio João Marçal de Souza, o Nenê da Vista Alegre (PSDB). A experiência não agradou Nenê que, em 2008, preferiu voltar para a Câmara Municipal, sendo substituído na chapa que tentou a reeleição, sem êxito, pelo atual presidente da Câmara, Hélio Albarello.

Em 2008 quem se elegeu foi Celso Vargas, pelo PTB, tendo como vice-prefeito o bancário aposentado Alberto Cruz Kuendig (PT). Ainda na primeira metade do mandato, quando notou que Alberto do PT, como era chamado, começava a se destacar, Vargas determinou o boicote completo ao vice que, em 2012, saiu candidato a prefeito e contribuiu para que o atual prefeito Maurílio Azambuja (já no MDB), tendo Eliane Simões (então também no MDB) com vice, ganhasse o pleito com uma apertada diferença de 217 votos.

Em 2016, Eliane não quis mais ser vice-prefeita, optando por buscar uma cadeira na Câmara Municipal, dando, assim, sua vaga a Joares Sanches que era apontado como virtual candidato do PSDB naquela eleição, mas abriu mão em nome do consenso para evitar qualquer possibilidade do grupo de Celso Vargas retornar ao poder.

Agora, resta saber se Joares terá o respaldo do governador para tentar o Executivo ou se, como ocorreu com os demais vice-prefeitos recentes, buscará uma cadeira na Câmara Municipal, eleição que, aliás, seria uma tarefa das mais fáceis, segundo os analistas políticos locais, pois, nessa terceira incursão de Maurílio na prefeitura, o vice-prefeito conseguiu ter uma atuação de destaque.

ELIANE SIMÕES – Na eleição de 2016, Eliane Simões foi a busca da condição de mais votada entre os 13 maracajuenses que ocupariam uma cadeira na Câmara Municipal. Não conseguiu o intento principal, mas não pode reclamar da votação. Terceira mais votada entre todos os candidatos a vereador, obteve o total de 1062.

De família ligada à produção rural, é nome que goza de grande prestígio junto ao alto comando do PSDB e não esconde o desejo de postular a cadeira que já foi de Reinaldo e que hoje está ocupada por Maurílio.

MARINICE PENAJO – Política de primeira eleição, Marinice Penajo foi uma das surpresas positivas do pleito eleitoral passado. Mesmo debutando na arte de pleitear cargos eletivos, obteve 1115 votos ficando com a segunda maior votação entre os 13 vereadores eleitos.

É outra liderança emergente que tem prestígio junto ao governador e aos dirigentes do partido. Vai depender do andamento do processo eleitoral para se ter a definição quanto ao posto que ela disputará no ano que vem, se um lugar numa chapa majoritária ou à reeleição ao Legislativo.

NEGO DO POVO – Vereador mais votado do pleito eleitoral de 2016 quando obteve 1155 votos, Nego do Povo iniciou esse seu terceiro mandato de vereador já fazendo campanha à sucessão do prefeito Maurílio Azambuja. Não há evento público em que ele não esteja presente. Nos meios políticos fala-se que se há algum acontecimento que reúna mais de três pessoas, Nego do Povo estará lá.

Assim como os demais pré-candidatos do seu partido, vai depender dos humores do alto tucanato para saber qual o rumo que tomará no pleito de 2020.

VALDENIR PORTELA CARDOSO – Ex-vereador por três mandatos consecutivos, em 2012, Valdenir Portela sonhou disputar a Prefeitura Municipal, mas, foi preterido pela alta cúpula do PSDB que optou em apoiar a candidatura de Celso Vargas (PDT) à reeleição, lançando Oclilane Sanches do Nascimento, o Careca, como candidato a vice. Decepcionado, decidiu afastar-se da política e sequer disputou a reeleição naquela ocasião.

Atualmente, entretanto, com a chegada do deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB) à Presidência da Assembleia Legislativa, seu nome ganha força e pode deixar de ser uma indicação local para se tornar uma opção da alta cúpula estadual do partido já que Corrêa é muito ligado a Reinaldo.

GIOVANA CORRÊA VARGAS – Apontada como a preferida do governador Reinaldo Azambuja, a ex-primeira-dama do município e atual subsecretária de estado de Políticas Públicas para as Mulheres, Giovana Corrêa Vargas, tem contra si dois fatos que pesam negativamente: o primeiro é ser filiada ao DEM e o segundo ser mulher do ex-prefeito Celso Vargas, que está na lista dos políticos inelegíveis tamanho foi o estrago que ele conseguiu promover nas finanças públicas municipais no período em que esteve no comando da Prefeitura.

O fato de ser filiada ao DEM pode até ser resolvido, pois ainda há tempo hábil para ela sair da legenda do deputado Zé Teixeira e se filiar ao PSDB de Reinaldo. Mas, primeiro Reinaldo terá de convencer a bancada inteira dos tucanos na Câmara Municipal, o vice-prefeito Joares e o candidato ungido de Paulo Corrêa, o ex-vereador Portela, de que nenhum deles é capaz de vencer a eleição do ano que vem.

Quando ao fato de Giovana ser mulher de Celso Vargas isso não tem remédio. Se ela for a candidata terá que lidar com a lembrança de que seu marido, enquanto prefeito, atrasou salário dos servidores, não pagou fornecedores e importou um secretário de Finanças de um município da fronteira – Antônio João – que se tornou uma espécie de dono do erário maracajuense.

Há quem afirme, inclusive, que se os Vargas retornarem ao comando do município, seja com quem for que venha a ocupar o cargo, o verbo “afraniar” voltará ser conjugado em todas as variações possíveis e imagináveis no Paço Municipal.

Diante desse quadro não se torna plenamente aceitável um amplo entendimento para a formação de uma chapa de consenso atendendo os interesses dos dois principais líderes políticos do município?

Jota Menon