Calmaria é sinal de que número de candidatos a prefeito de Maracaju poderá ser bem menor do que o quadro atual tem mostrado

Jota Menon – Maracaju Hoje
O cenário de extrema calmaria nos meios políticos, inclusive nas mídias sociais, pode ser uma clara demonstração de que nem todos os pré-candidatos que se apresentaram à sociedade maracajuense estejam, de fato, dispostos a levar a candidatura à sucessão do prefeito Maurílio Azambuja (MDB) até o dia 15 de novembro vindouro, data em que o povo irá às urnas escolher novos prefeito, vice-prefeito e integrantes da Câmara Municipal.
Em conversas reservadas com pessoas bastante antenadas no andamento do processo sucessório municipal, este escriba já obteve algumas informações ‘in off’ dando conta de que, apesar da calmaria no plano externo (público), nos bastidores o caldeirão da política se encontra em estado de ebulição e até a chegada do dia 16 de setembro, data-limite para a realização das convenções partidárias, alguns pré-candidatos já estarão na lista dos “ex-candidatos”, isso se não aparecerem na listagem de seus partidos como candidatos a uma das 13 cadeiras do Legislativo Municipal ou ainda integrarem uma ou outra coligação como candidato a vice-prefeito.
No momento, a lista de pré-candidatos a prefeito de Maracaju é uma das mais extensas que se tem registro. São pelo menos seis homens e duas mulheres que buscam a viabilização econômica e político-eleitoral para se tornarem de fato candidatos ou candidatas a ocupar a cadeira que tem hoje como titular o médico Maurílio Ferreira Azambuja.
Lenilso Carvalho, pré-candidato a prefeito do MDB/Arquivo_Maracaju Hoje
LENILSO CARVALHO – O Movimento Democrático Brasileiro – MDB – abre a lista dos pré-postulantes com o ex-secretário municipal de Finanças, Lenilso Carvalho. Ungido do prefeito municipal Maurílio Ferreira Azambuja, ele tem como item principal de seu currículo a organização financeira promovida na administração municipal no período em que esteve no comando da área econômica da Prefeitura.
Lenilso ainda se apresenta com um bom time de candidatos a vereador, dentre os quais cinco detentores de mandatos – Virgílio da Banca, Hélio Albarello, Joãozinho Rocha, Nenê da Vista Alegre e Nego do Povo, este último o vereador mais votado na história de Maracaju para a Câmara Municipal. É com essa força que o MDB tentará manter a hegemonia política que conquistou há oito anos no município.
José Marcos Calderan, pré-candidato a prefeito do PSDB/Arquivo_Folha de Campo Grande
JOSÉ MARCOS CALDERAN – Pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB – a aposta é no nome do empresário José Marcos Calderan que milita no partido há mais de 15 anos, mas nunca disputou pleitos eleitorais. Ele venceu a disputa interna no partido que contava também com as pré-candidaturas de Frederico Felini, ex-secretário da atual administração do município, e do ex-vereador e empresário rural Valdenir Portela Cardoso.
O staff de Marcos Calderan aposta na força do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para tentar dar ao PSDB o comando do município que só esteve com os tucanos nos oito anos em que o atual governador do Estado foi prefeito. De lá pra cá foram quatro eleições vencidas por DEM (2004), PTB (2008) e as duas últimas pelo MDB (2012/2016). José Marcos Calderan vai para a disputa com o apoio de dois vereadores que disputam a reeleição, Robert Ziemann e Laudo Sorrilha.
Giovana Corrêa Vargas, pré-candidata a prefeita do DEM/Arquivo_Tvgdsnews
GIOVANA CORRÊA VARGAS – O Democratas (DEM) vem apostando suas fichas na pré-candidatura da ex-primeira-dama Giovana Corrêa Vargas, porém, nas rodinhas de análises políticas formadas por cidadãos comuns, mas que fazem boa leitura do dia-a-dia da sucessão municipal, o comentário é de que a candidatura de Giovana não resistiria à confirmação da nome de Calderan pelo PSDB, uma vez que ela sempre se apresentou como candidata do governo.
Em relação a Giovana há ainda a grande resistência do eleitorado ao nome do seu marido, Celso Vargas, que foi prefeito da cidade no período de 2009 a 2012 e deixou a prefeitura com salários dos servidores atrasados, vários cheques sem fundos e uma grande fila de fornecedores/credores na entrada do Paço Municipal. Isso tanto é verdade que, apesar de serem casados e conviverem muito bem, ela evita usar o sobrenome do marido e se apresenta ao eleitorado como Giovana Corrêa (suprimindo o Vargas que herdou ao se casar). Se efetivamente disputar a Prefeitura, Giovana Corrêa vai apoiada por dois vereadores que são candidatos à reeleição, Ilson Portela, o Catito, e Toton Pradence que deixou o PSB, pelo qual foi eleito, para somar com o DEM.
Thiago Olegário Caminha, pré-candidato a prefeito do Republicanos/ Arquivo_Tudodoms
THIAGO OLEGÁRIO CAMINHA – Outro pré-candidato, egresso das hostes peessedebistas, é o fisioterapeuta Thiago Olegário Caminha. Ele postula a condição de candidato pelo Republicanos (antigo PRB, legenda criada pelas lideranças religiosas da Igreja Universal do Reino de Deus).
Em entrevista que concedeu recentemente ao “Maracaju Hoje” ele reiterou sua condição de candidato e foi enfático em dizer que só foi para o PRB por ter a garantia das lideranças estaduais de que seria ele quem decidiria os destinos da legenda, ou seja, não correria o risco de ter sua candidatura rifada na época das convenções como normalmente ocorre em partidos de pequeno porte.
Eliane Simões, pré-candidata a prefeita do PSB/Aquivo_Câmara Municipal
ELIANE SIMÕES VINCENSI – Vereadora de primeiro mandato, mas com o cacife de ter sido vice-prefeita no mandato passado de Maurílio Azambuja, quando foi eleita pelo MDB, Eliane Simões deixou o PSDB (pelo qual se elegeu à Câmara), para integrar o PSB do município.
Eliane Simões integra o seletíssimo grupo de políticos que chegaram à Câmara Municipal ultrapassando a barreira dos mil votos. Porém, há quem aposte que somente este trunfo não seja o bastante para que ela se viabilize à disputa da sucessão do prefeito Maurílio. Se for candidata será a única representante da Câmara Municipal em sua chapa, pois não há candidatos à reeleição pelo PSB.
Professor Jeamilton, pré-candidato a prefeito de Maracaju do Avante/ Arquivo_Canal Aqui
JEAMILTON OLIVEIRA BARBOSA – Com uma curta passagem pela Câmara Municipal de Maracaju na legislatura passada, quando substituiu o atual subsecretário de estado de Educação, Édio Antônio Resende de Castro, o professor Jeamilton Oliveira Barbosa é o pré-candidato a prefeito do Avante.
Com um histórico político que o leva às lutas classistas do PT e essa passagem efêmera pelo PSDB que lhe proporcionou a oportunidade de debutar na Câmara Municipal, o Professor Jeamilton, como é mais conhecido nos meios políticos e estudantis, bate os pés afirmando que sua candidatura é irreversível e que acredita no crescimento de sua candidatura a prefeito quando puder apresentar de público seus projetos político-administrativos para Maracaju.
Reginaldo Fotógrafo, pré-candidato a prefeito do DC/Reprodução Facebook
REGINALDO FERREIRA – O fotógrafo profissional Reginaldo Ferreira de Oliveira, o Reginaldo Fotógrafo, se apresenta como pré-candidato do Democrata Cristão (sucedâneo do PSDC).
Ele se filiou na legenda em 2015 e, em curto espaço de tempo, selecionou um grupo de candidatos para disputar a eleição proporcional de 2016. Integrando uma coligação de apoio à candidatura do atual prefeito Maurílio Azambuja que, entre outros partidos, teve o PT e o PV, a legenda do PSDC acabou elegendo seu primeiro representante na história de Maracaju, o vereador Adriano da Silva Rodrigues, o Dadá, por sinal o único vereador eleito pelo partido no Estado.
O vereador Dadá deixou o partido no período da denominada “janela partidária” e se filiou ao Patriotas (Patri), enquanto Reginaldo Fotógrafo promete montar outra chapa competitiva de candidatos à Câmara Municipal e que seja capaz de dar suporte à sua candidatura majoritária. Também não terá companhia de vereadores concorrentes à reeleição, caso efetivamente vá à disputa.
Joares Sanches, pré-candidato a prefeito do PSL/Arquivo_Maracaju Hoje
JOARES SANCHES – O empresário Joares Sanches é o atual vice-prefeito de Maracaju, tendo sido eleito pelo PSDB. Recentemente ele e mais um grupo de empresários da cidade fundaram o Partido Social Liberal – PSL -, a legenda pela qual Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil. Joares é apontado como a opção da legenda para concorrer à sucessão do atual prefeito.
Na eleição passada, ele venceu a disputa interna no PSDB, mas uma candidatura tucana àquela época poderia beneficiar o grupo do ex-prefeito Celso Vargas, motivo pelo que a direção partidária recuou e indicou Joares a vice de Maurílio.
Se confirmar a candidatura, não terá integrantes da atual Câmara Municipal em seu palanque, mas promete lançar uma chapa proporcional completa e com nomes de considerável potencial eleitoral.
A GRANDE INCÓGNITA – Por fim, aparece a grande incógnita da eleição de 15 de novembro vindouro e que pode se tornar o fiel da balança para muitos dos partidos que estão jogando o jogo da sucessão municipal. Trata-se do Patriotas (Patri) que, oficialmente, não apresentou uma pré-candidatura à prefeitura de Maracaju, mas, em compensação, filiou três vereadores em suas hostes, tornando-se a segunda maior bancada da Câmara Municipal.
Estão filiados ao Patri, atualmente, a vereadora Marinice Penajo, que teve a segunda maior votação na eleição passada, o vereador Jeferson Lopes, que foi eleito pelo PT na mesma coligação do vereador Dadá, como já frisado acima, também integrante do Patri em Maracaju.
Com todo esse cacife, das duas uma: ou o partido vai montar uma excelente chapa proporcional e aponta um nome de última hora para a disputa da sucessão do prefeito Maurílio ou soma com uma das oito candidaturas apresentadas nessa reportagem dando-lhe um fôlego muito grande na acirrada disputa que promete acontecer no dia em que se comemora a Proclamação da República Federativa do Brasil, o feriado nacional de 15 de novembro.
Fique por dentro das datas do calendário eleitoral
PEC aprovada pelo Congresso prevê primeiro turno em 15 de novembro e o segundo em 29 de novembro
O Congresso Nacional aprovou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera as datas do calendário eleitoral deste ano em razão da pandemia do novo coronavírus.
O calendário inicial, definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dezembro do ano passado, previa o primeiro turno em 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro. A PEC aprovada pelo Congresso adia o primeiro turno para 15 de novembro, e o segundo, para 29 de novembro.
O adiamento foi debatido pelo Congresso em audiências com especialistas e integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Veja a seguir as datas do calendário eleitoral deste ano:
– a partir de 11 de agosto: emissoras ficam proibidas de transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato, sob pena de cancelamento do registro do beneficiário;
– 31 de agosto a 16 de setembro: período destinado às convenções partidárias e à definição sobre coligações;
– 26 de setembro: prazo para registro das candidaturas;
– a partir de 26 de setembro: prazo para que a Justiça Eleitoral convoque partidos e representação das emissoras de rádio e TV para elaborarem plano de mídia;
– após 26 de setembro: início da propaganda eleitoral, também na internet;
– 27 de outubro: prazo para partidos políticos, coligações e candidatos divulgarem relatório discriminando as transferências do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral), os recursos em dinheiro e os estimáveis em dinheiro recebidos, bem como os gastos realizados;
– 15 de novembro: primeiro turno da eleição;
– 29 de novembro: segundo turno da eleição;
– até 15 de dezembro: para o encaminhamento à Justiça Eleitoral do conjunto das prestações de contas de campanha dos candidatos e dos partidos políticos, relativamente ao primeiro turno e, onde houver, ao segundo turno das eleições;
– até 18 de dezembro: será realizada a diplomação dos candidatos eleitos em todo país, salvo nos casos em que as eleições ainda não tiverem sido realizadas.