Bolsonaro diz que faltou a Ford ‘falar a verdade’; trabalhadores protestam contra fechamento de fábricas

Foto: Trabalhadores de fábricas da Ford no Brasil, em protesto ao anúncio de fechamentos. Foto: O Globo
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Ford não falou a “verdade” ao anunciar o encerramento da produção no Brasil. “O que a Ford quer? Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios” , declarou. Bolsonaro lamentou a perda de empregos com o fechamento das fábricas — cerca de cinco mil funcionários serão demitidos. Ao comunicar a decisão, a empresa citou um “ambiente econômico desfavorável” no país agravado pela pandemia de coronavírus.
Empregados da montadora protestaram contra o fim das atividades em Camaçari (BA). Em Taubaté (SP), trabalhadores iniciaram uma vigília (foto) para tentar reverter as demissões e pretendem se reunir com o governador João Doria (PSDB) para pedir ajuda no diálogo com a empresa. O que pode acontecer: os automóveis da Ford devem perder valor, mas, por outro lado, os interessados em comprar um carro novo podem encontrar descontos. Tire dúvidas sobre as mudanças no mercado.
Bastidores
O Ministério da Economia procurou executivos de três fabricantes mundiais de automóveis para comprar as fábricas da Ford. Técnicos do governo mantêm os nomes em sigilo, mas afirmam que uma empresa chinesa manifestou interesse em assumir ao menos uma das unidades. Em outra frente, integrantes da pasta avaliam que o modelo brasileiro baseado em incentivos tributários tem problemas e defendem a necessidade de reformas.
Enquanto isso, o governo da Bahia disse ter entrado em contato com representantes da China, Índia, Japão e Coreia do Sul para oferecer a fábrica da Ford em Camaçari. Segundo o governador Rui Costa (PT), a empresa vai mostrar as instalações a outra montadora global. No entanto, Costa disse não acreditar em solução de curto prazo.
Análise
A declaração do ministro Paulo Guedes de que o encerramento das atividades da Ford destoa da forte recuperação do país mostra o ambiente de autoengano que vive a equipe econômica, afirma Míriam Leitão: “A equipe precisa olhar com mais objetividade e menos discurso panfletário. A economia está muito mal e este ano começa com mais incerteza com a segunda onda da pandemia”, diz.
(O Globo)