Após trio viajar para velório, MS deve endurecer lockdown

Durante transmissão ao vivo nesta segunda-feira (25/5), o secretário de Estado de Saúde (SES), Geraldo Resende, falou em tomar medidas “mais duras” para assegurar o isolamento social em Guia Lopes da Laguna e municípios do entorno.

Segundo ele, o estopim foi a viagem de família lagunense infectada para participar de velório a 200 quilômetros dali, em Porto Murtinho.

O velório foi na última sexta-feira (22/5), e segundo o Campo Grande News, forçou regime de quarentena para 40 murtinhenses que também foram ao ritual fúnebre. Os dois primeiros casos de Porto Murtinho foram confirmados hoje (25/5), pela SES.

Sem sintomas, dois homens e uma mulher da família de Guia Lopes da Laguna passaram ilesos pela barreira sanitária instalada no município. Porém, identificados em Porto Murtinho, a vigilância epidemiológica da cidade vizinha ao Paraguai procurou a Saúde lagunense e confirmou que um dos homens já havia testado positivo para a doença em pandemia.

No velório, agentes de Saúde murtinhenses submeteram o outro homem e a mulher de Guia Lopes a testes rápidos e constatou que a dupla também estava infectada com novo coronavírus. Chovia no dia do rito fúnebre e, por isso, as pessoas se aglomeraram ainda mais.

No sábado (23/5), o prefeito de Porto Murtinho, Derley Delevatti (PSDB), contou ao Campo Grande News que o primeiro contaminado não havia assinado documento que o impedia de sair de casa.

“Vou conversar mais tarde com os setores do governo para que leve em consideração o crescimento e usar medidas mais fortes para manter as pessoas em casa. Houve um caso de família que saiu de Guia Lopes e foi para velório em Porto Murtinho. Isso é gente que não tem nenhum apreço à vida”, comentou Geraldo Resende.

O titular da SES não admitiu o emprego das forças de segurança estaduais na manutenção das medidas de isolamento na região sudoeste do Estado, que, além de Guia Lopes, com 183 casos confirmados até agora, reúne os municípios de Bonito (30 casos), Jardim (28), Bela Vista (2), Bodoquena, Caracol, Nioaque e a própria Porto Murtinho (2).

Na semana passada, Resende revelou pedido ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, para usar os 240 militares do Exército alocados em Jardim nas medidas de enfrentamento à covid-19 na região. Em visita a Campo Grande, o general disse que, para tanto, seria necessário ato presidencial de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

Em Guia Lopes, decreto municipal vigente permite que a população saia de casa apenas duas vezes por semana, escalonada por mês de aniversário, e apenas para atividades de necessidade primária, como idas ao mercado ou farmácia.

Estrutura precária – Sem leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no lado sudoeste, os casos graves de novo coronavírus são transferidos para o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande.

Pelas redes sociais, o prefeito de Jardim, Guilherme Alves Monteiro (PSDB), adiantou, ontem, que três pacientes do município, inclusive um pastor evangélico de 69 anos, estão internados na casa de saúde da Capital.

Coronavírus

Mato Grosso do Sul chegou aos quatro dígitos de casos confirmados – 1.023 – nesta segunda. Outras 214 amostras estão sob análise do Lacen, e 639 ocorrências não finalizadas estão represadas pelas prefeituras.

Da redação