Agrônomo fala sobre vazio sanitário e ferrugem asiática

Engenheiro agrônomo Maxuell em entrevista ao jornal Maracaju Hoje; foto: Luiz Guilherme/MaracajuHoje

O Mercado Agro entrevista nesta semana o engenheiro agrônomo Maxwell Eliezer dos Santos Alves, formado em agronomia, pela Universidade Anhanguera unidade Dourados, concluiu a graduação em 2016, atualmente é Gerente de Produção de Sementes na empresa Agrícola Panorama Comércio e Representação Ltda, em Maracaju.

A pauta foi sobre o vazio sanitário iniciado em 15 de junho aqui em Mato Grosso do Sul com duração até 15 de setembro, e também os cuidados que o produtor rural deve ter para prevenir a ferrugem asiática da soja, praga que teve os primeiros registros no Brasil entre 2001 e 2002.

Com alto poder de disseminação, a doença se espalha rapidamente podendo levar a perdas de até 90% da produção como explica o agrônomo.

“O objetivo do vazio sanitário é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra, atrasando a ocorrência da doença na safra subsequente”. A ferrugem asiática causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi acomete todo o ciclo da cultura, levando a senescência foliar prematura, comprometendo assim a formação e o enchimento dos grãos. Por ser biotrófico o fungo sobrevive e se reproduz apenas em tecido vivo, por isso durante o período de vazio sanitário é muito importante que todas as plantas tigueras de soja sejam eliminadas.

Após a instalação da lavoura o monitoramento periódico da cultura é muito importante, pois o diagnóstico da doença logo no início permite que estratégias de erradicação sejam adotadas reduzindo perdas, pondera Maxwell.

O agrônomo ressalta ainda que o produtor rural pode fazer o controle da praga por meio de aplicações de fungicidas protetores, ou curativos, quando infelizmente a lavoura ou parte dela foi acometida pelo fungo. Outras estratégias de manejo como utilização de cultivares precoces, resistentes e rotação de cultura também são importantes ferramentas no controle da ferrugem asiática.

Além da severidade da doença, os custos com defensivos agrícolas para controle da ferrugem-asiática encarecem muito os custos de produção e o produtor rural sente no bolso, na safra de soja 2016/2017 por exemplo, estima-se que os custos com controle da doença no Brasil ficaram entorno de R$ 8,3 bilhões.

A soja só poderá ser plantada em solo sul-mato-grossense entre 16 de setembro a 31 de dezembro, antes disso, fica expressamente proibido o plantio da cultura, sob pena de multa. O cadastro de área plantada é obrigatório, e deve ser realizado no site www.servicos.iagro.ms.gov.br/plantio.

Luiz Guilherme

Publicitário, pós-graduado em Comunicação e Jornalismo, jornalista do Jornal Maracaju Hoje e colunista do Mercado Agro