ACBG realiza palestra no Hospital São Julião e cria Grupo de Apoio em Mato Grosso do Sul

Gestor de projetos da ACBG, Eduardo Knoll, fala das ações da instituição em favor dos laringectomizados _ Assessoria

A Associação Câncer Boca e Garganta (ACBG), entidade com sede na cidade de Florianópolis (SC), promoveu na manhã desta quinta-feira (27) uma palestra direcionada a diretores, corpo clínico, colaboradores e pacientes do Hospital São Julião de Campo Grande, instituição que tem uma história de mais de 25 anos na realização de cirurgias de câncer de cabeça e pescoço.

No Hospital, os representantes da ACBG, Eduardo Knoll e Eduardo C. dos Santos, foram recepcionados pelos médicos cirurgiões de câncer de cabeça e pescoço, Maurício Simões Corrêa, Bruna Roberta de Araújo Minari e Ana Maria Magalhães e pelo diretor-administrativo da instituição, administrador Amilton Alvarenga.

Os cirurgiões Maurício Simões e Bruna Minari falam aos presentes no São Julião _ Assessoria

Os médicos e o administrador dirigiram rápidas palavras aos presentes, relatando um pouco da história da introdução do tratamento oncológico no Hospital São Julião que remonta ao ano de 1993, quando Maurício Simões conduziu a primeira cirurgia de cabeça e pescoço no local.

Apesar dos 26 anos de compromisso com os pacientes acometidos pela doença do câncer e da realização de mais de 6.000 cirurgias de cabeça e pescoço ao longo desses 26 anos, o hospital não é cadastrado pelo SUS – Sistema Único de Saúde – para a realização de tratamento oncológico.

Mas, Maurício Simões sintetizou o pensamento de toda a equipe do hospital que inclui a direção, o corpo clínico e os colaboradores de todas as esferas com uma afirmação: “Aqui trabalhamos felizes, porque o São Julião é um hospital que tem alma: aqui nós cuidamos das pessoas”.

Amilton Alvarenga, diretor administrativo do Hospital São Julião _ Assessoria

No âmbito da palestra que motivou o encontro, Eduardo Knoll, gestor de projetos da ACBG, fez uma esclarecedora explanação do Projeto Rede+Voz, desenvolvido pela entidade, e que tem como um dos seus principais objetivos contribuir com a completa reabilitação de pacientes que passam por cirurgias oncológicas de cabeça e pescoço.

Ele explanou os principais direitos que os laringectomizados possuem, muitos dos quais desconhecidos pelos próprios pacientes e as lutas que a entidade vem travando ao lado dos pacientes para que outras conquistas sejam obtidas, como o caso do fornecimento de laringes eletrônicas para todos os brasileiros que tiveram a voz afetada pela cirurgia de cabeça e pescoço.

Também citou números relevantes obtidos no desenvolvimento da campanha “Julho Verde”, que tem como objetivo esclarecer a sociedade sobre o câncer de cabeça e pescoço, e comentou o projeto de lei que institui, oficialmente, o Dia do Laringectomizado a ser comemorado, anualmente, no dia 11 de agosto.

“Assim como temos o Dia da Árvore e o Dia do Estudante, com a aprovação desse projeto, teremos o Dia do Laringectomizado, uma forma de tornar mais conhecido esse procedimento médico que torna a pessoa que passa por ele portador de uma deficiência, a da voz, e, portanto, detentor de todos os direitos que possui uma pessoa com deficiência (PCE) até bem pouco tempo denominada portadora de necessidades especiais (PNE)” explicou o gestor.

Paciente e voluntário da ACBG, Eduardo Santos fala da experiência de se tornar um laringectomizado _ Assessoria

Por sua vez, o voluntário da ACBG, Eduardo Santos, que é laringectomizado, fez um depoimento relatando todo o seu processo de tratamento, desde a descoberta do câncer até a realização da cirurgia de laringectomia total, fato que emocionou médicos, colaboradores e estimulou positivamente os pacientes e seus familiares que se deslocaram ao Hospital São Julião atendendo a convite formulado pela médica Bruna Minari e seus colegas cirurgiões de cabeça e pescoço.

Pessoal que participou da palestra no Hospital São Julião _ Assessoria

Ao final da palestra, a empolgação dos presentes era tamanha que foi proposta e aprovada a criação de um Grupo de Apoio à Associação Câncer Boca e Garganta em Mato Grosso do Sul. Para discutir a formação do Grupo de Apoio será criada uma “comissão” integrada pelos dois representantes da ACBG, por representantes de hospitais campo-grandenses, de pacientes laringectomizados e de seus familiares.